Minha chegada à Umbanda
Por Adriana Nigri
Eu sempre fui muito ligada à espiritualidade. Mas, durante muitos anos, não tive liberdade para seguir meu coração.
Vivi um casamento de 30 anos, em um relacionamento difícil, onde muitas vezes precisei guardar meus sonhos e minhas vontades.
Mas havia algo dentro de mim que nunca deixou de buscar.
Comecei estudando Reiki, fazendo um curso a distância, escondidinha, sem contar para ninguém. Depois vieram outros cursos, outros conhecimentos, até conhecer o xamanismo, que me encantou profundamente.
Os anos passaram. Meu casamento terminou, eu me tornei terapeuta e continuei estudando, especialmente as medicinas da floresta.
No final de dezembro de 2025, estava pesquisando um lugar onde pudesse participar de uma cerimônia de ayahuasca. Foi quando, inesperadamente, apareceu uma divulgação de um terreiro de Umbanda.
Eu pensei: “Umbanda?” Resolvi mandar uma mensagem. Fui recebida com tanto carinho que me convidaram para conhecer a casa no dia seguinte, 31 de dezembro.
Mas existe uma parte dessa história que guardo profundamente no coração.
Na noite anterior, conversando com minha espiritualidade, fiz um pedido:
“Se esse for o meu caminho, me mostrem uma pena.”
No dia seguinte, saí de casa e já nem me lembrava daquele pedido. Enquanto subia a rua em direção ao terreiro, perto do hospital da cidade, vi algumas penas no chão.
Continuei andando. De repente, algo me fez lembrar: “Penas! Meu Deus, eu pedi uma pena!”
Voltei imediatamente. E lá estavam elas. Três penas. Uma grande, uma média e uma pequenininha, branca, toda fofinha.
Naquele momento, comecei a chorar. Eu havia pedido uma pena. E encontrei três. Para mim, aquilo foi uma resposta tão bonita que subi o restante do caminho chorando de emoção.
Quando cheguei ao terreiro, fui recebida com muito amor, respeito e carinho. Senti que podia estar ali. Que podia aprender. Que podia ser eu mesma.
Não demorei a decidir que queria fazer parte daquela casa. Marquei meu abori e comecei minha caminhada.
E, quando percebi, já estava participando das atividades, ajudando nas festas e dando palestras.
Eu, que havia passado tantos anos buscando meu caminho, agora também podia ajudar outras pessoas.
Mas sabe o que ficou mais forte dentro de mim? O acolhimento que recebi quando cheguei.
E é justamente isso que desejo oferecer através do Raízes de Luz.
Quero que o médium que está começando encontre respostas para suas dúvidas. Que o consulente que chega pela primeira vez não tenha medo de perguntar. Que ninguém se sinta menor porque ainda não sabe.
Porque eu também estou aprendendo. E quero continuar aprendendo todos os dias.
Se minha história puder ajudar uma única pessoa a encontrar coragem para seguir seu caminho, já terá valido a pena compartilhá-la.
Porque, para mim, Umbanda é amor. É carinho. É acolhimento. É encontrar uma mão estendida quando mais precisamos.
E foi assim que minhas raízes começaram a florescer.
Com amor e gratidão, Adriana Nigri.
Este é um relato pessoal. Vivências espirituais e interpretações são individuais.